Esta é a interrogação que está na origem de L’Heure Bleue, a nova fragância da Guerlain, inspirada naqueles minutos em que o azul escuro vai tomando conta da paisagem, desvanecendo as fonteiras entre o dia e a noite.
Para a Maison, este é o momento em que, mais do que a fusão entre luz e escuridão, a realidade se perde na imaginação, é um momento de liberdade e de possibilidade. “É essa sensação de desconexão que queremos transmitir, aqueles minutos em que desligamos do dia e entramos num mundo só nosso”, partilhou, no evento de apresentação, a diretora de Marketing da Guerlain em Portugal, Vera Jonas.
Este é o primeiro lançamento em quase uma década – o último foi Mon Guerlain, em 2017. E nasce de um desafio colocado à perfumista Delphine Jelk para reinterpretar, trazendo para a contemporaneidade, uma fragância icónica na Maison – a primeira L’Heure Bleue, criada em 1912 e que permanece no portefólio.
Foi-lhe, pois, pedido que trouxesse para o tempo atual a sua visão desta “fragância do céu”. O que fez introduzindo novos ingredientes, como explicou a farmacêutica Joana Nobre, embaixadora da marca. Assim, pela primeira vez, é usada tintura de íris: a íris é um dos elementos identitários da Maison, mas o que é inovador é a forma como o seu rizoma foi trabalhado. Lembrando que a flor não possui fragância, é no rizoma que se escondem os aromas, sendo preciso libertá-los através de extração alcoólica. O resultado são notas familiares, que remetem para a sensação acolhedora da Guerlain, mas mais frescas, o que a torna mais jovem e contemporânea.
Inovadora é, igualmente, a utilização do cascalone, um ingrediente de síntese que aporta um aroma ozónico, notas mais metálicas, ligeiramente marinhas. Nas palavras de Joana Nobre, a este elemento se deve a “sensação de uma certa libertação no final de um dia de trabalho”.
Pertencente à família dos perfumes florais ambarados, L’Heure Bleue abre precisamente com este acorde ozónico, guardando no coração íris e flor de laranjeira, com a base a acolher baunilha e ambroxan, uma molécula que recria o aroma do âmbar. Assim, é simultaneamente fresca e envolvente.

O frasco, embora mantenha a silhueta original, que evoca os ombros de uma camisa, foi também ele alvo de reinterpretação. Assim, os tons pastel das edições anteriores dão lugar a uma gradação de azuis, inspirada nas diversas tonalidades que tomam conta do céu na passagem do dia para a noite. Na tampa, permanece o coração invertido criado desenhado por Georges Chevalier para a composição de 1912.


E o universo olfativo de L’Heure Bleue vive, ainda, num sabonete perfumado para mãos e corpo, enriquecido com manteiga de karité e inspirado na forma do coração invertido. O lançamento estende-se à maquilhagem Guerlain com três estojos Rouge G de edição limitada — Bleu Iconique, Bleu Rêverie e Bleu Astral — que reinterpretam os códigos azuis e dourados de L’Heure Bleue.