A que cheira a baía de Guanabara, no Rio de Janeiro? Será que o que o nariz capta em 2025 consegue remeter para as memórias de quem viveu a infância na cidade maravilhosa? Ou esse aroma está à beira da extinção? E o ecossistema que lhe deu origem? São perguntas que suscitam a reflexão de O Boticário e que estão na origem do projeto Extinto, que acaba de ser apresentado em Lisboa.
É – como sublinhou a country manager em Portugal, Rossana Gama – um alerta em forma de fragância. Não uma nova fragância, até porque esta e as demais que dão forma a esta iniciativa não serão comercializadas. “Não é um lançamento, é um chamado”, frisou, no evento de apresentação, no Lx Factory.
É que, para a empresa brasileira, não é possível falar de beleza sem falar de impacto – é a beleza ética. O Extinto enquadra-se neste posicionamento, visando alertar para a urgência de preservação da biodiversidade.
Os lugares mais bonitos do mundo correm o risco de desaparecer se nada for feito: estão em risco devido à ação humana e pode ser a ação humana a reverter o processo. Rossana acredita que é uma missão possível.
E é com esse propósito que o LX Factory acolhe, até dia 22, a instalação Extinto, uma experiência sensorial que convida, através do olfato, a descobrir os cheiros de cinco biomas ameaçados.
São eles a mata de Guanabara, no Brasil, uma fragrância vegana, com 93% de ingredientes de origem natural, que expressa a frescura da água e o verde exuberante da baía; Madagáscar, com notas quentes de baunilha, numa homenagem às paisagens e às florestas da ilha africana; Jasmim Sambac (Índia), inspirada na floresta asiática de Sundarbans, combinando davana e manjericão para retratar a beleza exótica da região. A Austrálias, mais concretamente East Arnhem, é uma fragância amadeirada e intensa, representa a riqueza natural da costa. E da Europa chega um frescor cítrico e fundo floral-oriental, para evocar o contraste entre a beleza da ilha italiana de Calábria e a poluição crescente do Mar Mediterrâneo.

Estas fragâncias foram desenvolvidas com tecnologia headspace, capaz de capturar a chamada “memória olfativa” de ecossistemas intactos antes de sofrerem os impactos da poluição, resultando a colaboração entre perfumistas e botânicos.