Vou conduzir ou estou a tomar antibiótico. Estas são duas das razões muitas vezes invocadas para optar por uma cerveja sem álcool. Algumas dessas vezes são meras desculpas, verbalizadas perante o receio do julgamento social. Isso mesmo ficou patente na conversa Bar Aberto, que reuniu o psiquiatra Gustavo Jesus, a influenciadora Mariana Ribeiro e o humorista Tiago Almeida, numa conversa moderada pela radialista Rita Carmaneiro. Uma conversa de Heineken 0.0 na mão.

O ponto de partida foi um estudo que a consultora GfK realizou para a Heineken em Portugal. Intitulado “Bebidas 0.0% Álcool em Portugal: Hábitos, Motivações e Barreiras ao Consumo”, inscreve-se na estratégia da marca de proximidade a cada mercado, não obstante a sua presença global. Isso mesmo sublinhou a responsável de Marketing, Catarina Ferraz, ao abrir o bar. “Beber uma bebida 0.0 não devia ser um tema, mas a verdade é que, no dia a dia, há uma espécie de interrogatório à volta desta escolha”, comentou, enquadrando a iniciativa na vontade de promover uma “conversa honesta” que, de alguma forma, contribua para “abrir mentalidades”.
Tendo permitido recolher insights locais, o estudo mostrou que subsistem barreiras à escolha de uma bebida sem álcool: assim, dos inquiridos que consomem cerveja sem álcool, mais de um terço (37%) revela já ter sentido pressão social para beber álcool e quase metade (49%) diz que ainda tem a necessidade de justificar esta opção perante os outros.O julgamento social faz-se sentir ao ponto de 11% admitir já ter inventado uma desculpa para justificar o facto de não estar a beber bebidas com álcool.

Num comentário a estes resultados, o psiquiatra Gustavo Jesus começou por partilhar que este fenómeno possui uma raiz comportamental profunda: “A espécie humana é muito social. Foi por isso que nos tornamos a espécie dominante. Fazer parte do grupo é sempre o que queremos.”
Vivem-se tempos paradoxais. Em que, por um lado, se advoga a liberdade individual e, por outro, as pessoas são cada vez mais condicionadas pelo que os outros pensam delas. Basta recordar a presença nas redes sociais, que é “muito comparacional”. Sair do padrão automático de justificar o comportamento é possível, mas ter um comportamento diferente do grupo requer maturidade e segurança.
E, por isso, quem não bebe álcool é visto como “um intruso”. Mariana Ribeiro já testemunhou esta sensação. Quando decidiu cuidar mais de si, decidiu também não beber, e “foi complicado”, para uma pessoa como ela que saía regularmente à noite. Queria assumir que não ia beber álcool, mas faltava-lhe a confiança. Hoje já não e vê até no grupo de amigos outros que lhe seguem os passos.
Também Tiago Almeida sentiu já esta dinâmica de grupo. Partilhou, a propósito, alguns dos comentários que ouviu quando decidiu, com a mulher, fazer dois meses em beber álcool, agosto e setembro. Ouviu-os do grupo de amigos, mas também da família mais direta. Reconhecer que não são mal-intencionados, decorrendo, sim, de hábitos que estão enraizados socialmente.
Deste bar aberto, a única conclusão possível é que cada um deve beber o que quiser sem ter de se justificar.
E os números mostram que há mais pessoas a retirar o álcool da equação. De acordo com a Associação Cervejeiros de Portugal, a categoria das cervejas sem álcool cresceu 11,45% em Portugal, no espaço de um ano. E o estudo da Heineken adianta que 58% dos inquiridos escolhem bebidas sem álcool quando vão conduzir, 52% porque querem socializar sem sentir os efeitos do álcool, e 51% porque procuram um estilo de vida saudável. E há mais mulheres (54%) do que homens (46%) a consumirem versões sem álcool.

É neste contexto que a Heineken lança mais uma versão 0.0, a Nectarine Juniper, com notas de nectarina e zimbro. Chega ao mercado em junho e procura responder a uma necessidade que os consumidores de cerveja sem álcool evidenciam: mais sabor. A marca inquiriu 600 pessoas em Portugal, dos 18 aos 54 anos, e concluiu que 45% esperam que as marcas apresentem propostas em que o sabor da cerveja sem álcool é o mais próximo possível ao de uma cerveja original, mas também a introdução de novos sabores (32%).