“O que nós gostamos.” É assim desde 2010 no número 4 da Avenida Guerra Junqueiro, em Lisboa. E assim continua em 2026, o ano em que a Mercearia Criativa cresceu, ampliando as instalações, mas mantendo a filosofia de apostar em pequenos produtores e nos sabores que remetem a fundadora, Rita Duarte Ferreira, para a infância e a casa dos avós.
À conversa com a Farniente, no evento de apresentação da renovada mercearia, Rita dá conta de que a oportunidade de expansão surgiu quando o espaço ao lado, que albergava um café, ficou livre. Uma oportunidade que veio responder a uma necessidade que já sentia, na medida em que sentia já alguma limitação na loja original.
E, assim, onde se serviam cafés e pastelaria, fica agora a oferta de charcutaria e de queijaria da mercearia, a par de uma zona mais operacional. Na loja original mantêm-se a padaria, as frutas e os legumes, bem como a mercearia propriamente dita. E o piso inferir continua a acolher a garrafeira e a área dedica às refeições congeladas, para take-away. No exterior, a esplanada é o ponto de degustação, sendo possível provar e petiscar todos os produtos que estão à venda.
Manter a criatividade continua a ser ponto de honra, mesmo sabendo que as mercearias tradicionais estão a desaparecer e que, portanto, é preciso resiliência para persistir. São mercearias que fazem parte das memórias de Rita e o facto de serem cada vez menos dá-lhe mais vontade para continuar. E para ir ao encontro de pessoas que define como extraordinárias e que produzem “coisas especiais”, proporcionando sabores que fazem parte dessas mesmas lembranças.
Neste percurso, conta que, em 2016, foi dado um passo importante, quando, a pedido de clientes, se iniciaram os caterings. Nascia, assim, “A mercearia vai a casa” e, entretanto, vai também aos escritórios e às empresas.
O que não se alterou foi a curadoria do sortido. “Não queremos produtos que estejam em todo o lado”, resume, partilhando que é por isso, por exemplo, que não vende pasteis de nata. “Tentamos ser diferentes”, comenta, dando conta de que prova todos os produtos, num cuidado que é um controlo de qualidade.
E, por vezes, há produtos que nascem de desafios lançados a esses mesmos produtores. Todos os anos, a Mercearia Criativa faz alguns produtos com marca própria, entre vinhos, compotas, conservas e azeite. Um dos exemplos que Rita conta envolve batata doce de Aljezur e atum dos Açores, dois produtos que aprecia e que deram origem a uma conserva.
Os próprios clientes desafiam a criatividade. Por exemplo, quando regressam de uma ida à terra dos pais ou dos avós e trazem, no paladar, gostos que por lá descobriram. “Procuramos responder, sempre ao encontro da nossa filosofia”, diz.
Quer com produtores, quer com clientes, as relações são de longa data. Dos fornecedores – e são 130 a 140, no total –, 80% está desde o início. Já os clientes são, essencialmente, os do bairro, porque essa é a intenção.