A 14 de novembro, o Rocim, na Vidigueira, volta a celebrar os vinhos “mais puros e mais rebeldes”. São os vinhos de talha, assim descritos pelo CEO da herdade, o enólogo Pedro Ribeiro, que há nove anos se lançou na aventura de criar um Amphora Wine Day.
E são assim descritos porque na sua produção não entram “bengalas tecnológicas”. “É uma técnica muito simples”, comentou, na apresentação do evento, na Praça Beato, em Lisboa, considerando mesmo que “o segredo está na vinificação”. E no Rocim é respeitada, no essencial, a prática de vinificação deixada pelos romanos na região.
Além disso, para serem certificados, no âmbito dos vinhos DOC Alentejo, precisam de ficar em contacto com as películas pelo menos até ao Dia de São Martinho, 11 de novembro. O que explica que esta data tenha sido sempre o azimute do Amphora Wine Day, nas nove edições que cumpre este ano, com o evento a culminar precisamente na abertura das talhas e na prova do primeiro vinho.
Esta é – recordou Pedro Ribeiro – uma tradição muito ligada ao território, em particular ao que designa como o “triângulo dourado”, que liga Cuba, Vidigueira e Vila de Frades, e em que o Rocim se insere. Aliás, a três quilómetros da herdade, existe uma ruína romana onde se fazia vinho de talha como hoje.
No Rocim, já há muitos anos que a produção de vinho de talha é uma realidade, mas só há década e meia se avançou com a decisão de engarrafar. Uma decisão que se materializa em marcas como Vinho de Talha, Amphora, Fresh from Amphora, Santiago na Ânfora do Rocim, ou Quinta da Pedragosa Amphora (Algarve).
Em 2018, Pedro Ribeiro toma outra decisão: desempoeirar o vinho de talha e contar a sua história. Nasce, assim, o Amphora Wine Day, que, este ano, e quando faltava um mês para a abertura de portas, tinha 43 produtores convidados, entre nacionais e internacionais. E, de fora, vão dar-se a provar vinhos da Geórgia, de França e de Itália, da África do Sul e dos Estados Unidos, entre outros.
O objetivo é levar pessoas ao Rocim, mas também ao território, de um modo geral. O que se tem verificado, edição após edição, com este a ser considerado o maior evento de vinho de talha do mundo.
Além das provas – livres e comentadas –, o dia 14 de novembro faz-se de gastronomia, pela mão de produtores e chefs locais, e de música, com o cante alentejano a percorrer o ambiente.
Esta nona edição coincide com o relançamento do processo de candidatura da Produção de Vinho de Talha a Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.