O produtor João Tique acaba de lançar Cultus Grande Reserva 2021, um vinho que descreve como raro e “profundamente identitário”. Simboliza a maturidade do seu percurso desde que, em 2019, passou a trabalhar apenas com vinhas próprias na Quinta Alta da Queimada, a norte de Évora.
João Tique não possui histórico familiar na viticultura, mas a sua trajetória pessoal acabou por estar ligada ao setor, na medida em que trabalhou na indústria da cortiça e na internacionalização dos vinhos portugueses em mercados asiáticos.
Foi dessa experiência que nasceu a vontade de criar um projeto autoral, que agora concretiza em cinco hectares, num terroir marcado pela influência dos rios Degebe e Xarrama, que confere frescura e equilíbrio aos seus vinhos.
Na vinha, o foco está na intervenção mínima e na sustentabilidade. Sem herbicidas e sem fertilizantes químicos, com trabalho maioritariamente manual. A maturação das uvas é deliberadamente prolongada, muitas vezes até outubro, assumindo os riscos naturais do clima, como escaldões ou quebras de produção, em nome de maior concentração, complexidade e autenticidade.
Na adega, a linha é a mesma: diz o produtor que não são utilizadas leveduras selecionadas, não há correções de acidez ou de cor, nem adição de sulfuroso durante a fermentação.
É desta abordagem que surge o Cultus Grande Reserva 2021: “É o reflexo daquilo em que acredito: tempo, silêncio e respeito pela natureza. Não é um vinho feito para agradar a todos, é um vinho feito para ser verdadeiro”, afirma João Tique. Produzido exclusivamente com Petit Verdot, passou por 42 meses em barrica seguidos de seis meses de estágio em garrafa. Trata-se de uma edição limitada a 250 garrafas, numeradas.
O produtor desenvolve ainda as gamas Bellus e Suavis, com as três gamas a corresponderem a 10 mil garrafas anuais.
