O cardume da Bordallo Pinheiro tem onze novas sardinhas, três delas assinadas por figuras bem conhecidas no panorama nacional, mas noutras artes: Bárbara Guimarães, autora de “Lambona”; Herman José, que criou “Smile”; e Ricardo Carriço, que deu corpo à “Sardinha da sorte”.
No evento de apresentação destas sardinhas estreantes, esta semana, em Lisboa, o administrador do grupo Vista Alegre Nuno Barra recordou que mais de 300 artistas já participaram na coleção ao longo de onze anos. São sempre uma centena, pelo que, todas as edições, há algumas que deixam de navegar nestas águas e outras que se iniciam.
É o caso de “Lambona”, da apresentadora de televisão Bárbara Guimarães. Que começou por partilhar que receou que o nome não fosse aceite: “Fresca e boa também era bom, mas, como sou do norte, lambona fazia mais sentido”, comentou, afirmando que a sua sardinha tinha de contar uma história que tivesse a ver consigo – daí a escolha da boca. “Ando sempre cheia de bocas”, brincou.

Também a sardinha de Ricardo Carriço é pessoal. O ator, que faz igualmente uma incursão nas artes plásticas, contou que pretendeu criar uma peça que as pessoas pudessem partilhar. E que foi um comentário da mulher que o fez decidir-se pela sorte como tema: “Ela disse que, quando eu tivesse a minha sardinha, a ia oferecer sempre que fechasse um negócio.” Chegou assim a um design repleto de simbolismo, com o número 7, o trevo de quatro folhas, a joaninha, o elefante de tromba virada para cima…

Herman José esteve ausente, mas a sua sardinha marcou presença: “Smile”, um concentrado de sorrisos, pontuados a vermelho, numa inspiração do poeta Guerra Junqueiro, que escreveu “o sorriso que ofereces, a ti voltará outra vez”.

Do cardume fazem ainda parte “Robot”, de Hiroshi Thiago Homma, uma sardinha em forma de robô que propõe uma reflexão sobre a fusão entre o natural e o artificial; “Mermaid”, de Jessica Antonini, à volta da mitologia e do fascínio exercido pelas sereias; “Tin Toy”, de João Pedro Lam, uma sardinha ferrugenta como os brinquedos de lata de outrora.
“Girassóis e andorinhas” é a proposta de José Carlos Ferreira, uma ilustração colorida que remete para a primavera e o verão; “Sonho bordalliano” é a criação de Manuel Bandeira Duarte, que enaltece o princípio do caminho do artista popular; “Estrada para o mundo” é assinada por Maria do Rosário Calado, que evoca a aventura dos descobrimentos”.
Vanda Oliveira é a autora de duas das peças. Em “Sardinhando”, representou o gesto de dar as mãos; e em “Tigre” simboliza a disputa de graciosidade entre uma sardinha e um camarão.
Estas onze sardinhas completam a coleção deste ano, que a Bordallo Pinheiro define como um convite à celebração da cultura, do talento e da portugalidade.
Fátima de Sousa