É de 21 a 29 de junho que acontece a 12.ª edição do festival de arte urbana da Covilhã, o WOOL. O nome é tudo menos um acaso nesta iniciativa que tem entre os seus propósitos afirmar a identidade da cidade e da região. Ora, a lã faz inequivocamente parte desse ADN.
Com a cidade ainda longe da azáfama artística que caracteriza cada edição, É Elisabet Carceller, quem assume a visita guiada, a convite do Pena D’Água Boutique Hotel & Villas, um dos parceiros. Nascida em Barcelona (Espanha), há muito que encontrou na Covilhã a sua cidade de vida: compõe, com o marido, Pedro Seixo Rodrigues, e a cunhada, Lara Seixo Rodrigues, o trio de mentores do festival.

Tudo começou por volta 2010. Na altura, começavam a surgir na Europa os festivais de arte urbana, o que os levou a pensar no potencial desta expressão artística para acrescentar valor à cidade. Primeiro, apalparam terreno, isto é, foram falando com alguns artistas que conheciam em Lisboa e foram recebidos com entusiasmo, o que os motivou a apresentar a candidatura à Direção-Geral das Artes.
Nessa primeira edição, foram quatro os autores. Em 2025, as paredes da cidade são a tela de cerca de meia centena de murais. Assinados por artistas nacionais e internacionais, com diferentes técnicas e estilos, de modo a conferir diversidade do percurso.
É no interior das muralhas que o roteiro se organiza, refletindo um dos objetivos do projeto: a reabilitação da zona histórica. Ao mesmo tempo, convertendo paredes públicas e privadas em quadros que remetem para a identidade local: este é, explica Elisabet, o briefing que os artistas recebem – que os murais reflitam uma ligação à história, à atualidade ou as vivências da cidade e da região. E, por isso, há recriações da serra e da sua flora e fauna; da lã, das suas artes e dos seus personagens; das minas e do esqui; das lendas e das pessoas. A partir daí, haja criatividade.
Depois de a edição de 2024 ter sido a maior, a de 2025 poderá destroná-la, com um programa repleto de instalações, exposições, música e cinema, além, claro, de pintura mural.


Do roteiro vão fazer parte os espanhóis Boa Mistura, um coletivo reconhecido pelos seus projetos de construção comunitária e que se propõe humanizar as cidades através da arte, e Lidia Cao, cujo trabalho se aproxima da ilustração, com a mulher a ter uma atenção especial. Da Grécia, chega Stelios Pupet, que também se debruça sobre a figura feminina. E a artista portuguesa Lígia Fernandes vai realizar um trabalho especial, que será construído com contacto e envolvimento da comunidade local.
A comunidade faz, ainda, parte da ação “Todos Somos o Outro”, que já começou em abril e culminará no festival: instituições de solidariedade social de todo o concelho estão a ser desafiadas a transformar milhares de farrapos e quilómetros de lã num tapete de grande dimensão que ocupará um lugar central da cidade no final do WOOL 2025.