Os dias mais frios e as refeições mais reconfortantes pedem vinhos tintos, mas um branco sabe sempre bem. O que não faltam são novas colheitas para encher a garrafeira.
O primeiro bio
A Quinta dos Murças acaba de lançar o seu primeiro Reserva com certificação Bio: proveniente de alguma das vinhas mais antigas desta propriedade duriense, é apresentado como tendo grande potencial de envelhecimento.
Plantadas entre os 150 e os 280 metros de altitude, em solos de micaxisto, estas parcelas reúnem castas tradicionais, como Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinta Barroca, Touriga Nacional, Touriga Franca e Sousão. A vindima é manual e a vinificação segue uma filosofia de intervenção mínima, respeitando os princípios da viticultura biológica. O vinho estagiou 18 meses em barricas usadas de carvalho francês, assegurando uma evolução subtil e elegante.
De acordo com o produtor, o Quinta dos Murças Reserva Tinto 2021 ostenta cor profunda, aroma complexo a frutos pretos maduros, esteva e especiarias, e uma estrutura marcada por taninos maduros e polidos, bem integrados. É descrito como um perfil clássico, que evidencia o potencial e a sofisticação do Douro.

Reservas do Tejo
A Adega do Cartaxo lançou duas novas colheitas que refletem o potencial de guarda dos seus vinhos: trata-se dos tintos Bridão Reserva e Detalhe Reserva de 2020.
O Detalhe Reserva tinto 2020 reúne Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Syrah, Merlot e Cabernet Sauvignon. Vinificado com desengace total, esmagamento, maceração prolongada durante cinco dias e estágio de 10 meses em barricas de carvalho francês, apresenta uma cor granada carregada, é intenso no nariz, com um misto de fruta vermelha e fruta silvestre bem madura, menta, eucalipto e ligeiras notas de baunilha. No palato, é igualmente intenso, frutado e fresco, com o volume e a untuosidade com taninos sedosos, a conferir-lhe corpo. Persistente no final de boca, exibe notas de menta e eucalipto.
Já no Bridão Reserva tinto 2020 entram as castas Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Tinta Roriz e Syrah. Constitui um vinho elegante e fresco, intenso na cor e nos aromas, em que predominam frutos vermelhos e frutas do bosque, compota, geleia e tabaco. Na boca, é descrito como complexo, intenso e frutado, com “taninos poderosos, mas redondos”. Volumoso e bem estruturado, proporciona um final persistente e longo.

Arte em garrafa
Uma obra do artista belga Kasper Bosman inspirou o rótulo do Quetzal Arte Tinto 2022: é ela o mural “Under the Mountain”, criado especificamente para o produtor alentejano e que recebe quem chega à zona da adega e do restaurante.
Produzido a partir das castas Alicante Bouschet, Alfrocheiro e Syrah, este tinto fermentou em balseiro de carvalho francês, com quatro a cinco remontagens diárias de quinze minutos. E após a fermentação alcoólica, estagiou doze meses em barricas de carvalho americano, e francês de segunda utilização. De acordo com o enólogo, José Portela, tanto pode ser consumido logo após a compra, ou ser guardado até cinco anos em local fresco ao abrigo da luz.
De cor granada profunda e aromas de bagas silvestres, especiarias e frutos secos, o Quinta do Quetzal Arte Tinto 2022 é descrito denso e compacto na boca, com notas de cacau negro, frutos pretos e um toque balsâmico.

Nobre relançamento
O Casa de Santar Vinha dos Amores Encruzado 2017 está de regresso, agora com distinção Dão Nobre. Trata-se de um reconhecimento atribuído pela Câmara de Provadores da CVR Dão aos vinhos que atingem os mais elevados padrões de excelência e qualidade.
Com enologia assinada por Paulo Prior, esta é uma edição muito limitada, de apenas 1.000 garrafas de 75 cl. e 500 garrafas Magnum (1,5 litros), todas numeradas numa gargantilha especial.
Como o nome sugere, é produzido exclusivamente a partir de uvas da Vinha dos Amores, parcela de altitude e solos graníticos. O resultado é um vinho monocasta 100% Encruzado, de aspeto cristalino e cor citrina intensa com subtis tons esverdeados. O aroma é intenso e complexo, com notas de geleia de frutos de polpa branca, e o sabor revela-se fresco, elegante, harmonioso e de longa persistência.

Grandes reservas
A marca duriense São Luiz, do Kopke Group, colocou no mercado três novas referências: Quinta de São Luiz Vinhas Velhas Rumilã Grande Reserva Tinto 2019, Quinta de São Luiz Vinhas Velhas Grande Reserva Tinto 2021 e São Luiz Winemaker’s Collection Folgazão e Rabigato Reserva Branco 2021.
Do São Luiz Vinhas Velhas Rumilã Grande Reserva Tinto 2019 foram produzidas apenas 1.252 garrafas. Resultado de um estágio de dois anos em madeira e outros dois em garrafa, apresenta um perfil descrito como expressivo e complexo. De cor rubi profunda, com notas de frutos silvestres envoltos em sugestões florais, exibe, no palato, uma combinação de taninos sedosos, acidez e mineralidade.
Quanto ao São Luiz Vinhas Velhas Grande Reserva Tinto 2021, é apresentado como um vinho complexo, elegante e de estrutura aveludada e envolvente. De cor rubi, ostenta, no nariz, aromas a frutos vermelhos e negros, e notas de especiarias. O lote foi limitado a 2.400 garrafas de 750ml e 1500 ml.
Já o Winemaker’s Collection Folgazão e Rabigato Reserva Branco 2021 resulta de vindima manual das duas castas, com fermentação em barricas de 300 litros e estágio nas mesmas entre 2021 e 2025. Notas de fruta branca de caroço envoltas num toque de casca de toranja e, ainda, sugestões fumadas de madeiras compõem o perfil aromático deste vinho de que foram produzidas 3970 garrafas.

O primeiro reserva
A marca alentejana Trinca Bolotas, da Herdade do Peso, tem novidades: trata-se do seu primeiro reserva, que apresenta como um vinho estruturado e cheio de personalidade.
O Trinca Bolotas Reserva 2022 é um blend das castas Alicante Bouschet, Aragonez e Syrah.
Revela um aroma intenso e complexo, com fruta preta madura, ervas aromáticas e um toque mentolado que refresca. Na boca, sobressaem volume, taninos maduros e suaves, e uma profundidade adquirida nos 12 meses em barricas de carvalho americano.

Uma homenagem
Acaba de chegar ao mercado, com cerca de cinco mil garrafas, a colheita de 2021 do Antónia Adelaide Ferreira DOC Douro, um vinho criado para eternizar a memória e o legado de uma mulher que faz parte da história da região.
Para a colheita de 2021, foram separados lotes da Quinta da Leda, Quinta do Seixo, Quinta do Caêdo, Quinta do Sairrão e Quinta do Porto, que estagiaram em barricas de carvalho francês durante seis meses, antes de se juntarem para o lote final em toneis de carvalho de 2.000 litros por mais 24 meses.
O resultado é um vinho de cor rubi intensa, com aroma complexo em que sobressaem notas de fruta vermelha, fruta preta, especiarias como a pimenta e a noz-moscada, pedregoso, com madeira subtil. Na boca, é descrito como revelando um bom volume, acidez vibrante, taninos firmes e um final longo e harmonioso.
