É numa estreita península no Mar Negro, separada por apenas sete quilómetros de água da zona ocupada pela Rússia na Ucrânia, que se localizam as vinhas de Eugene Shneyderis, empresário ucraniano que, em 2010, se aventurou na viticultura e que, quinze anos depois, se dá a conhecer em Portugal.

Beykush Winery é o projeto que construiu na aldeia de Chernomorka, na região de Mykolaiv, e que foi buscar o nome à baía que banha uma das margens da península. Tudo começou quando adquiriu uma propriedade a pensar nas férias da família e arriscou plantar vinhas. “Ficámos tão surpreendidos com os resultados que decidimos fazer do vinho um negócio”, comentou, no evento de apresentação na ViniPortugal, em Lisboa. São 14 hectares, em que vingam 17 castas diferentes, quer de tintos, quer de brancos. Francesas, italianas, georgianas na sua maioria, com as autóctones a serem residuais.
Localizadas a poucas centenas de metros do mar, as vinhas beneficiam de um “terroir especial”, como o descreve, com um clima estável, muitos dias de sol, embora alguns problemas de humidade explicados pela brisa marítima que sopra de todos os lados. A proximidade da guerra não se tem feito sentir, mas há vizinhos cujos terrenos são um verdadeiro cemitério de munições.
A guerra impactou, no entanto, o passo seguinte que deu na propriedade: a Villa Beyksuh, um hotel que concretizava a sua aposta no enoturismo, mas que teve de fechar, ao fim de dois meses.
O vinho, esse, continua e com prémios, nomeadamente da revista especializada Decanter. Do portefólio, trouxe a Lisboa seis. O primeiro a ser provado foi o Artania Rose 23, um blend de Pinot Gris (95%) e Pinot Noir (5%), de que foram produzidas 3200 garrafas. Seguiu-se o Beykush White 23, um 100% alvarinho, com o produtor a destacar como esta casta responde bem à proximidade da água. No copo seguiu-se outro monocasta, este um Chardonnay Reserva de 2022, com estágio de dois anos em barricas de carvalho francês.
Passando para os tintos, foram servidos o Beykush Red 23, um monovarietal de Pinotage; o Loca Deserta 21, um blend de Merlot, Cabernet Sauvignon, Tempranillo, Rubin, Malbec e Pinot Noir; e, finalmente, o Kara Karmen 21, em que as castas Saperavi e Tempranillo entram em igual proporção.
Estes são vinhos que ainda não estão à venda em Portugal, mas que podem ser importados, por exemplo, dos Países Baixos. Este é um dos mercados de exportação da Beykush Winery, a partir da Noruega, Estónia, Reino Unido, Japão, Canadá e Alemanha. O peso das vendas internacionais rondava, até aqui, os 20%, com a Ucrânia a absorver a maioria da produção, mas Eugene Shneyderis prevê que as exportações cresçam até aos 35% das 70 mil garrafas que produziu este ano. E Portugal é um dos mercados em que encontra potencial, atendendo, nomeadamente, à comunidade ucraniana que reside no país.