“Pequena filosofia das aves” foi o primeiro livro que os naturalistas franceses Philippe J. Dubois e Élise Rousseau escreveram em conjunto e o prelúdio para a obra que viria a atrair a atenção de Cecile Gonçalves, administradora do Grupo StayUpon. Chama-se “Ornitherapie” e ainda não está traduzida em português, mas os seus princípios já são aplicados no programa “Natureza e contemplação” do Praia do Sal Resort, em Alcochete.
O resort já é destino regular dos entusiastas da observação das aves, com a escolha a dispensar explicações: afinal, inserido em plena reserva do estuário do Tejo, é uma porta aberta para a riqueza da avifauna que encontra refúgio nas marés do rio. O que agora se propõe, a partir dos ensinamentos dos dois naturalistas, é ir além da descoberta e da captação de imagens das espécies que por ali abundam: é praticar a escuta ativa e dela retirar benefícios emocionais e físicos.
Um passeio pelas salinas do Samouco – as únicas do Tejo ainda ativas – foi o primeiro passo para perceber quão abundante e diversa é a avifauna. Tendo como guia o biólogo Luís Lourenço, permitiu descortinar alguns exemplares das chamadas aves limícolas, isto é, aves que se alimentam de peixes e invertebrados que encontram facilmente quando a maré baixa. Quando as águas sobem, são os tanques das salinas o refúgio que procuram, em busca de alimentos ou apenas de uma pausa até poderem voar de novo para o estuário.

Contemplá-las em silêncio, respeitando o habitat, ajudou a compreender o entusiamo protagonizado por Philippe e Elise. Ele biólogo, ela filósofa, complementam-se no olhar sobre os benefícios das aves para o bem-estar humano.
Philippe acredita que, num mundo que define como cada vez mais incerto, as pessoas se sentem desamparadas e, por isso, têm necessidade de encontrar uma âncora tangível. A natureza – afirma – pode ser essa âncora e os pássaros são os melhores vetores para se estar em comunicação íntima com a natureza.
Com algumas vantagens: ao contrário dos insetos e das plantas, por exemplo, o número de espécies é mais limitado, o que facilita o conhecimento; além de que a grande maioria das aves é diurna – por oposição aos mamíferos –, pelo que ficam mais ao alcance da observação. Sem esquecer que são coloridos e se manifestam pelo canto.
Face à necessidade de conexão com a natureza que identifica nos tempos atuais, o biólogo e escritor francês sublinha que as aves proporcionam apaziguamento. No concreto, colocam á prova dois sentidos – a visão e a audição. Não se trata apenas de ver, mas, sim, de observar; não é só ouvir, é escutar. Num caso e noutro, trata-se de tomar consciência.
A propósito, citou estudos recentes que apontam que escutar os sons das aves por 20 minutos contribui para diminuir o cortisol. E, sendo feita com regularidade, essa escuta ajuda a diminuir a ansiedade.

Era algo que – como comentou Elise – enquanto naturalistas, já sentiam: “Já sabíamos que nos fazia bem, mas pensávamos que era apenas por ser a nossa paixão. Mas, os estudos vieram validar essa experiência.” A estes benefícios, acrescenta uma outra dimensão: as aves obrigam quem as observa a viver no presente, porque a qualquer momento podem levantar voo. “E nós, humanos, temos dificuldade em ficar no presente, estamos sempre a divagar pelo passado e a ansiar pelo futuro”, notou. Além disso, contribuem para trabalhar qualidades como a humildade, a paciência e a discrição. “Ensinam-nos a dominar medos e a abrandar”, completou Philippe.
Foi esta visão que inspirou Celine Gonçalves e que a levou a introduzir a orniterapia como programa terapêutico do Praia do Sal Resort. Foi criado um pacote temático, em vigor até 31 de março, que oferece uma experiência holística que combina uma noite de alojamento (com pequeno-almoço), tratamento de spa, uma visita guiada às salinas e uma refeição temática.
No spa Cinq Mondes, é possível desfrutar do tratamento “Esfoliação areia & rio”, uma hora de bem-estar inspirada nas margens do Tejo: movimentos lentos e profundos induzem ao relaxamento, com a fusão de sal marinho fino, de areia vulcânica e de óleos essenciais cítricos a renovar a pele, revitalizando-a. O ambiente é de tranquilidade, acompanhado por sons autênticos de aves gravados nas salinas e no estuário.

Do spa, a experiência prossegue no restaurante Omaggio, para desfrutar do menu “Sabores em voo com o Tejo”. A prova começa com “O ninho da maré”, nome sugestivo para ovos de codorniz recheados com pesto de manjericão e amêndoa, sob cana de folhas baby. Segue-se “À beira do estuário”, com os sabores a não deixaram dúvidas sobre a localização do resort: risotto de salicórnia, limão e parmesão. “As grandes migrações” assumem a forma de um prato de carne ou de peixe, com a escolha a fazer-se entre peito de pato braseado em redução de vinho tinto e frutos silvestres com gnocchi de batata e espinafres salteados, ou lombo de robalo grelhado com crosta de eras e polenta cremosa. A finalizar chega a “Doçura do ninho”: gelado omaggio em ninho crocante de massa kataifi.





Com esta oferta, e nas palavras da sua administradora, o Grupo StayUpon propõe-se posicionar Alcochete como destino pioneiro no bem-estar em harmonia com a natureza.