A ponta do véu havia sido levantada em novembro último, por ocasião do lançamento do tinto da colheita de 2024: a Quinta do Sampayo ia aventurar-se nos rosés. Cinco meses volvidos, o véu é removido por inteiro e o primeiro está pronto a provar. Ainda que com a moderação exigida pelo facto de terem sido produzidas apenas 1250 garrafas.
O Pine Cliffs Algarve foi palco da apresentação oficial do Quinta do Sampayo Rosé 2025 DOC, uma escolha comandada desde logo por razões afetivas: afinal, o resort algarvio é destino habitual de férias da família proprietária da quinta. Mas, pesou, igualmente, o facto de ter abraçado desde a primeira hora o projeto de Ana Macedo e Pedro Emídio, tendo sido dos primeiros clientes a vender os vinhos produzidos em Vale da Pinta (Cartaxo).

Este rosé é o episódio mais recente de uma história que começou quando o casal decidiu levar os filhos à quinta que havia sido adquirida pelo pai de Ana, mas que estava desaproveitada. Uma viagem para que criassem memórias e que se converteria num projeto de vida, com os primeiros vinhos a serem engarrafados em 2024. Um tinto e um branco, da colheita do ano anterior, a que se juntaram, no ano seguinte, duas novas referências. E agora chega o rosé.
É um vinho a pedido, como confidenciou o enólogo Marco Crespo no evento de lançamento, conduzido pelo sommelier e wine educator Manuel Moreira. E a pedido para “fazer o que nunca tinha sido feito”: afinal, na história dos mais de 30 anos da Quinta do Sampayo não há registos de qualquer vinho rosado.

“Foi pensado para ser assim”, comentou, a propósito da cocriação com André Domingues, que assume a viticultura da quinta. E pensado desde logo na escolha do ano – 2025, um ano positivo a nível de qualidade e médio em termos de produção. Pensado igualmente na seleção das castas: “Privilegiamos a autenticidade das castas mais rústicas e características da região”, partilhou, aludindo ao Castelão e ao Aragonez, as que compõem, em igualdade de proporções, o blend deste rosé.
Uma escolha qualificada por Manuel Moreira como “um pouco inusitada”, tanto mais que as uvas são provenientes de vinhas com “uma idade respeitável”. Foi corroborado nesta visão pelo enólogo, que acentuou que “fazer vinho de vinhas com cinco ou nove anos não é o mesmo que fazer vinho de vinhas com 25 e 29 anos”. Esta é, respetivamente, a idade das vinhas do Aragonez e do Castelão que entram neste rosé com ambição. Ambição e quase um mandato para mostrar que esta categoria não deve ser desvalorizada.
A harmonização entre enologia e viticultura levou a que a vindima acontecesse ainda antes das castas brancas, de modo a obter frescura e acidez natural. Quanto ao teor alcoólico deste rosé é moderado, situando-se nos 12%.
É apresentado como representando o terroir do Vale da Pinta, em que os solos argilo-calcários conferem mineralidade, enquanto o clima, nomeadamente o calor que se sente no verão, acentua os aromas frutados e frescos.
E é já filho das práticas de agricultura regenerativa que a quinta começou a adotar em 2024. E que tem contribuído para fortificar a vinha, mas também para atrair a fauna, enriquecendo o ecossistema. É esse o legado que Ana e Pedro queiram deixar.