A criadora de joias Juliana Bezerra está de regresso ao Páteo Bagatela, em Lisboa, seis anos depois de aí ter aberto o seu primeiro ateliê a solo. Com o rosa-canela a dominar, este é um espaço muito orgânico e teatral, em que as suas criações convivem com móveis em segunda mão e peças de outros artistas nacionais.
Juliana conta que sempre manteve uma ligação afetiva a esta zona da cidade: afinal, foi no pátio que a marca cresceu, foi no pátio que recebeu as primeiras clientes e, com elas, forjou amizades. O sucesso exigiu um novo espaço, que acabou por ser encontrado no Restelo, onde a sua criatividade viveu desde então.
Porém, o desejo de voltar continuava latente, em nome da proximidade pedida pelas clientes, mas também da própria vontade de Juliana. “Quando me mudei, lembro-me de pensar que, se esta loja estivesse vaga, nunca iria embora; afinal, a marca cresceu aqui”, partilha.
Até que, em março deste ano, o acaso – ou melhor, uma ida ao restaurante da Rua Artilharia 1 mesmo em frente – lhe abriu a possibilidade de regressar: a loja estava para arrendar. “Nem acreditei”, comenta.
Até setembro, foram meses de obras profundas para acolher a sua visão, concretizada pela arquiteta Rita Monjiardim, da Skike Design, com execução da Desafio do Lápis. Juliana e Rita já haviam trabalhado na conceção do espaço do Restelo, pelo que o entendimento foi natural: “Queríamos que fosse simples e artesanal e, ao mesmo tempo, sofisticado”, partilha a artista.

O que se encontra é uma arquitetura muito orgânica, com curvas, texturas e muitos detalhes: a cor – explica Juliana – remete para o universo feminino, mas não de forma óbvia, o mesmo acontecendo com o chão, com mosaicos pontuados de flores delicadas. As paredes têm textura, refletindo as joias que cria. Dos nichos abertos nas paredes espreitam objetos lúdicos, muitos deles da sua coleção privada, outros de autores nacionais que, tal como ela, privilegiam o artesanal.
A atenção aos detalhes é um traço que Juliana Bezerra elege como seu e que está presente nas peças que cria: “Tento não ser previsível, fazer combinações não óbvias, surpreender as pessoas. Procuro sempre desafios, estéticas novas, tento ser interessante para mim mesma”, descreve, anunciando para final de novembro a próxima coleção. E prometendo: “Vai ser mágica.”