O Slash Creative Hair Studio, em Lisboa, é mais do que um cabeleireiro. É o que emana das palavras da fundadora e diretora criativa, Olga Hilário, mas é também o que se infere de um espaço em que a arte convive com cortes e penteados. E, sobretudo, é o que se conclui dos serviços criados especificamente para cuidar da saúde mental e tornar o salão mais inclusivo e atento. “É um espaço de liberdade.”
O cabelo é uma tela à espera de criatividade?
O cabelo é uma extensão de quem somos e pode ser uma poderosa forma de expressão da nossa criatividade e personalidade.
O que pensa quando tem uma cliente à frente pela primeira vez?
A prioridade é conectar-me e tentar perceber quem tenho à minha frente. Ouvir as necessidades, conhecer a rotina e o estilo de vida. A partir daí, construo uma imagem capilar alinhada com o que a pessoa deseja e com a sua identidade.
Até onde se pode ir com uma tesoura na mão?
Até já não haver mais cabelo.
E com um tubo de tinta?
Atualmente quase tudo é possível, desde que o cabelo esteja saudável e não exista uma cor prévia que limite a transformação.
O pedido mais estranho/ousado que já lhe fizeram?
Raramente considero algo verdadeiramente estranho. O pedido que me faz sempre sorrir é: “Quero algo completamente diferente, mas não quero cortar muito.” Não existe mudança sem corte!
O corte/penteado mais disruptivo que já lhe saiu das mãos?
As criações mais avant-garde nasceram sempre nas semanas de moda internacionais. Nos bastidores há uma enorme liberdade criativa, com extensões, acessórios e ideias que só ali ganham vida. Um dos trabalhos que mais adorei foi pintar perucas com um efeito de graffiti. No dia a dia, não é prático nem duradouro, mas o impacto visual é incrível.
Os olhos são o espelho da alma. E o cabelo?
O cabelo reflete quem somos e como nos sentimos. Tem o poder de nos dar confiança, elevar a autoestima e fazer-nos sentir bem.
O Slash é mais do que um cabeleireiro?
O Slash é, acima de tudo, um espaço de liberdade. Queremos que cada pessoa se sinta confortável, acolhida e apoiada para concretizar os seus sonhos capilares.
Um espaço de cowork não contraria a ideia de que ir ao cabeleireiro é um momento de pausa?
Parece contraditório, mas a vida é cada vez mais frenética e não há tempo para tudo. Poder trabalhar enquanto a cor atua é uma vantagem para muitos clientes e ajuda a encaixar o cabelo no horário durante a semana. Há quem traga o computador e, mesmo assim, acabe por relaxar.

De Tamara Alves a Ricardo Milne, a arte é um must?
Para mim, arte é vida. Sempre vivi rodeada de arte e moda, e isso inspira tudo o que faço. É precisamente por não prescindir da arte no dia a dia do Slash que celebrámos os dez anos do salão com uma parceria inédita com o Ricardo Milne, criando uma coleção exclusiva de peças de cerâmica dedicadas à ideia de transformação.
Cuidar dos cabelos e cuidar da saúde mental. Como se faz a ponte?
O cabelo faz parte da nossa identidade. Não o trocamos como uma peça de roupa. Quando cuidamos dele, cuidamos também do nosso bem-estar. Há clientes que se sentem tão à vontade que acabam por partilhar connosco coisas que não dizem nem a amigos nem à família. Pensando nisso, trabalhei com uma equipa de saúde mental para desenvolver cinco serviços que tornassem o Slash ainda mais inclusivo, empático e atento às pessoas.


Dez anos de Slash numa palavra e porquê?
Life-changing. Este projeto não só mudou a minha vida, como sinto que contribuiu para mudar a vida dos outros também.