O que acontece quando se junta a experiência em denim da Salsa e os padrões, cores e detalhes da Favorite People? Acontece uma coleção cápsula, que, sob o mote “Small Town People – City Calling”, transporta para o contexto urbano as referências nostálgicas associadas às jardineiras, a peça central desta colaboração.
Este é o mais recente episódio da Proudtuguese Series, uma iniciativa da Salsa Jeans dedicada a colaborações com nomes ou marcas da criatividade portuguesa. As duas primeiras edições envolveram dois artistas, de estéticas distintas – o arquiteto Siza Vieira, em 2023, e o artista urbano AKACORLEONE, em 2026. E, pela primeira vez, entra em campo uma marca.
À Farniente, Daniela Neto, brand & marketing manager da Salsa, afirma que “uma colaboração de duas marcas de produto de moda, na verdade, tem tudo para dar errado”, desde logo porque as linhas visuais de ambas podem colidir.
É o CEO, Hugo Martins, quem desconstrói esta mensagem, começando por comentar que esta colaboração é “um bom espelho” de como a Salsa “faz as coisas”. Depois das edições com dois artistas, ganhou forma a ideia de cocriação com uma marca. O critério primeiro seria encaixar-se na série Proudtuguese, inspirada por aspetos do dia a dia profundamente portugueses. E a verdade – diz – é que a Salsa encontrou na Favorite People uma marca que se distingue pela energia, por arriscar. “E, embora à primeira vista, pudesse não ser evidente, tornou-se muito consensual entre toda a equipa que havia um potencial enorme”, conta.
Havia risco, o tal risco de colisão mencionado por Daniela Neto. “Quando colaboramos com um artista, ele tem uma visão criativa forte da sua obra, mas não domina a execução do produto. Aqui, porém, são duas equipas de produto e ambas têm de perceber que não estão a desenvolver um produto da sua marca”, concretiza Hugo Martins, sublinhando que uma coleção nascida desta forma tem de ser orgânica, não pode ser uma colagem.
E esta “não é explicitamente Salsa, nem explicitamente Favorite People”. A propósito, Rita Rugeroni, CEO e fundadora da Favorite People, comenta que o mais interessante nesta colaboração foi perceber até onde podia levar a sua marca sem perder identidade. “Entrámos no universo da Salsa Jeans, trabalhámos o denim de uma forma que nunca tínhamos feito e criámos, pela primeira vez, peças de homem. São dois universos muito diferentes, mas quando juntámos a experiência da Salsa Jeans à cor, aos prints e à irreverência da Favorite People, tudo ganhou uma energia completamente nova. Foi muito divertido ver a coleção crescer precisamente desse contraste”, partilha.

Esta coleção cápsula assinala a entrada da Favorite People no segmento masculino, com uma seleção de peças que inclui casaco de denim, jeans e jardineira. Na linha feminina, as jardineiras são centrais, ao lado de jeans, camisas, bomber e outras propostas de denim. Além de lenços, bolsas, necessaires e capas para computador.



Coleções como esta – retoma Hugo Martins – vão trazendo à Salsa públicos em novos segmentos, muito embora a marca seja bastante transversal. E são um exemplo da reinvenção da marca, um processo constantemente em curso, na convicção de que, sem reinvenção, há o risco de perder relevância.
“Adotar este posicionamento foi das melhores coisas que podíamos ter feito”, nota, chamando à conversa três ingredientes que considera determinantes: a curiosidade, que faz parte de todas as equipas, não só das de produto; o domínio técnico; uma cultura colaborativa que “funciona muito bem” internamente e nestas colaborações. Sem perder o ADN da marca.