Sob as arcadas do mosteiro já não se vislumbram os trajes singelos das freiras que o habitaram em séculos idos. Mas, o convite à introspeção e à contemplação continua a habitar os corredores de paredes altas e tetos em abóboda que hoje recebem os hóspedes do novíssimo MS Collection Mosteiro de Arouca.
Assim é porque o programa de intervenção arquitetónica que converteu a ala sul do mosteiro em hotel de cinco estrelas foi guiada pelo respeito pelo passado deste edifício do século X localizado no coração histórico da vila.
O branco – que evoca a pobreza de que as freiras fizeram voto – domina os interiores, convocando a luz natural, em harmonia com uma iluminação subtil que confirma o ambiente de recolhimento. A imponência do mosteiro é acentuada pelo jogo de arcadas em pedra que acompanhada as áreas de convívio e receção do hotel, as mesmas que, há séculos, eram dedicadas à vida comum e ao trabalho.

Nos pisos superiores, o paralelismo entre passado e presente continua. Os corredores que antes conduziam às celas das religiosas foram preservados, estendendo-se como uma galeria entrecortada por janelas que deixam entrar a luz e pelas portas que, agora, se abrem para a privacidade dos hóspedes. Nos quartos, apenas as grades em ferro remetem para a vida anterior do hotel, porquanto na dimensão e nas comodidades em nada se assemelham. Naturalmente. A sobriedade permanece, porém. A serenidade também.

Entre as áreas comuns – a receção, o lobby, o bar e o restaurante – e as reservadas ao alojamento, um elevador e uma escadaria. Modernos, mas discretos, inseridos na traça original sem sombra de contraste.
É do piso térreo que se alcança o exterior. E a serenidade do interior acompanha o passo em direção à antiga cerca do mosteiro. Os muros em granito sobrevivem como vestígios desse tempo, delimitando a ribeira de Silvares, a partir da qual a mata sobe em socalcos.


Pelo caminho, o SPA, muito simbolicamente nascido das ruínas da antiga enfermaria. Além da reabilitação, houve lugar a um trabalho de ampliação a partir dos alicerces arqueológicos identificados, para acolher sauna, banho turco, salas de tratamento e hidromassagem. E uma piscina interior, de teto curvilíneo e vidraças rasgadas sobre os jardins.
E a vislumbrar a piscina exterior, onde pontua um outro exemplo de recuperação: o antigo edifício de apoio agrícola e a respetiva eira foram adaptados ao serviço de bar.
Longe vão os tempos em que o mosteiro foi cada de D. Mafalda, neta de D. Afonso Henriques. Contudo, neste cinco estrelas com 53 quartos, classificado como monumento nacional, a memória foi preservada.