É do Douro, do Dão, do Tejo e dos Açores que chegam estas sugestões: são novos vinhos, entre licorosos e tranquilos, acabados de chegar ao mercado.
Mais um proibido
Márcio Lopes Winemaker acaba de lançar o Proibido Vinha da Luísa 2022, completando, assim, o conjunto dos quatro vinhos de parcela do Douro que definem a identidade do projeto.
Este Proibido Vinha da Luísa 2022 nasce na Quinta do Pombal, no Douro Superior, a partir do segundo campo experimental do projeto. Trata-se de uma pequena vinha com apenas 0,5 hectares, plantada em 2019 e inteiramente dedicada à casta Alvarelhão. O nome presta homenagem à filha mais nova de Márcio Lopes e representa, simbolicamente, o futuro do projeto e a vontade contínua de explorar novas expressões do Douro, com precisão, frescura e identidade.
Com uma produção, de apenas 580 garrafas, apresenta 12% de álcool, fermentação com pisa suave de cacho inteiro e estágio de 15 meses em barricas usadas. O resultado é, segundo o produtor, “um vinho de grande elegância, frescura e definição”.

Licoroso abafado
A Adega do Cartaxo já deu a conhecer a segunda edição do CTX Superior. Trata-se da colheita de 2019 deste vinho licoroso abafado cuja estreia aconteceu em 2014.
De cor âmbar, o CTX Superior Vinho Licoroso Abafado branco 2019 exibe aroma intenso e complexo, com notas de fruta cristalizada, uva passa, mel e ligeira baunilha. Na boca, é igualmente intenso, doce, mas cheio de frescura, corpo, volume e untuosidade.
É feito exclusivamente com uvas de Fernão Pires bem maduras, as quais, depois de desengaçadas, são esmagadas com maceração pelicular e prensadas com aproveitamento total do mosto, que é clarificado. A fermentação alcoólica ocorre durante dois dias, a 16.ºC. É, depois, feito o processo de abafamento – e paragem da fermentação – com aguardente vínica a 77.º. O estágio decorreu por quatro anos em depósitos de cimento, seguindo-se um ano em barricas de carvalho francês de 500 litros.

Aos pares
A Casa de Santar Vinhos tem duas novidades no seu portfólio: o Oito Parcelas 2017 e Vinha dos Amores Alfrocheiro 2023. Ambos têm enologia de Paulo Prior, da Global Wines.
Produzido numa edição limitada de 5.100 garrafas, o Casa de Santar Oito Parcelas 2017 nasce da combinação de seis castas distribuídas por oito parcelas do produtor, resultando num vinho de grande complexidade e elegância, que reflete bem o ano vitivinícola de 2017. De aspeto límpido, apresenta cor rubi com ligeiras nuances acastanhadas, resultado do seu longo estágio. No nariz, revela grande complexidade, com notas terciárias, balsâmicas, especiarias como pimenta preta e ligeiras nuances de grafite. Na boca, é macio, estruturado e persistente, com notas de pão de centeio tostado.
Já o Casa de Santar Vinha dos Amores Alfrocheiro 2023, é um monocasta que nasce no Alto dos Amores, uma das zonas mais emblemáticas da Vinha dos Amores. Exibe cor rubi de média intensidade e um aroma intenso e complexo, com notas de frutos silvestres e de bosque. Na boca, é frutado, macio, bem estruturado e persistente, com um final elegante.

Insulares
Dos Açores, com a chancela da Picowines, chegam dois vinhos: o Ilha do Pico Licoroso 1998e o Arcos Vulcânicos 2021, descritos como duas leituras do mesmo território, separadas pelo tempo, mas unidas por uma mesma origem.
Assim, o Ilha do Pico Licoroso 1998 é feito a partir de Verdelho de vinhas velhas, plantadas em currais na Criação Velha, a poucos metros do mar. Resulta de uvas em estado avançado de maturação e muito concentradas, com o estágio prolongado (27 anos) em cascos velhos de carvalho a contribuir para a concentração. De cor topázio luminosa, apresenta no aroma notas de laranja cristalizada, citrinos, frutos secos, toffee e iodo, enquanto na boca surge firme, com acidez, e de final prolongado graças à salinidade.
Também o Arcos Vulcânicos 2021 tem na origem a casta Verdelho, de vinhas da zona dos Arcos, em Santa Luzia. As uvas foram prensadas em cacho inteiro, usando apenas o mosto das pressões mais suaves. A fermentação decorreu em barricas de 500 litros, seguida de 10 meses de estágio sobre borras finas. No copo, mostra-se de cor amarelo esverdeada. No aroma, exibe mineralidade, com notas de algas e citrinos. E na boca, a frescura domina, o volume é contido e o final salino prolonga a sensação atlântica.

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