A Herdade do Rocim tem dois novos vinhos de talha, um branco e um tinto. Vêm, segundo o produtor da Vidigueira, dar continuidade a um percurso de valorização da tradição e do barro como elemento central da vinificação.
Justificando este caminho, o produtor alentejano sustenta que fazer vinho de talha no século XXI é muito mais do que preservar uma técnica ancestral: é demonstrar que algumas tradições permanecem vivas porque continuam a responder às inquietações do presente.
Assim, estes novos vinhos de talha da herdade são apresentados como o resultado de uma leitura fiel da tradição da Vidigueira. São produzidos a partir de castas autóctones – Perrum, Diegalves e Manteúdo, no caso do branco, e Tinta Grossa, Alfrocheiro e Moreto, no tinto. As uvas fermentam em talhas de barro segundo o método ancestral, com maceração prolongada das películas até ao dia de São Martinho, 11 de novembro, momento simbólico e técnico que define o seu perfil estrutural.
Após essa data, o vinho é separado das massas sólidas e transferido para talhas de barro fechadas, onde o estágio continua durante vários meses, beneficiando da micro oxigenação natural do barro.
A propósito, o enólogo e CEO do Rocim, Pedro Ribeiro, comenta: “O vinho de talha ensina-nos precisamente aquilo de que hoje sentimos mais falta: tempo. Tempo para esperar, para compreender a natureza e para respeitar os seus ritmos. Num mundo cada vez mais acelerado, acreditamos que esta forma de fazer vinho responde ao desejo crescente de genuinidade, de origem e de experiências verdadeiras.”