Natural da montanha. É assim que o Pena D’Água Boutique Hotel & Villas, na Covilhã, se apresenta. Um cartão de visita a que a realidade faz jus: é que a montanha não é só a moldura natural deste hotel de quatro estrelas, mas está viva nos pormenores que enriquecem os interiores e nos cuidados com a sustentabilidade que estão presentes desde o primeiro dia.

É o empresário Rui Jorge Barata o anfitrião desta visita ao primeiro hotel de quatro estrelas do centro da cidade da lã e da neve. A semente para estender os seus interesses à hospitalidade começou a germinar quando herdou a casa do avô. Sendo uma casa de família, a ideia de a transformar num turismo de habitação foi intuitiva. E ganhou continuidade quando, mais tarde, lhe foi proposta a aquisição de um imóvel na mesma rua, pertencente a uma família que era amiga da sua. Desabitado há dezenas de anos, exibia um estado significativo de degradação, mas isso não o impediu de deitar mãos à obra e à ambição de o converter num hotel de charme.
E porque era uma casa de família houve, desde logo, a preocupação de preservar as memórias. O que, na prática, implicou manter muitos dos elementos originais, como o lambril da antiga capela ou as vigas de castanho que suportavam o texto. Depois de restaurados, estão hoje em evidência no hotel, sublinhando uma outra preocupação: a ligação à montanha.

“O hotel tinha de ser de montanha. Crescemos aqui, na serra, na floresta. Tem muito a ver connosco”, comenta o empresário. Assim se explica a paletes de cores, em que pontuam os castanhos, os ocres e os verdes, numa transição natural com o exterior. Mas, é mais do que design de interiores – há também uma preocupação de sustentabilidade, patente desde logo na preocupação de “aproveitar ao máximo” o edificado. E aqui entram, mais uma vez, as vigas de castanho do telhado antigo, que agora dão forma às estruturas das camas. Mas, entram, igualmente, materiais como o granulado de cortiça e os desperdícios têxteis, que ganham nova vida como isolamento acústico e térmico. Painéis solares e um sistema de recolha das águas pluviais inscrevem-se na mesma filosofia.
As atividades propostas envolvem, também, a comunhão com a natureza – dos tours para apanhar ervas aromáticas (e há mais de 900 identificadas na serra) e, com elas, aprender a fazer óleos aromáticos, aos workshops de queijo fresco e de feltragem da lã, passando pelos percursos pedestres ou em bicicleta.
Entre quartos, suites e villas, são 33 os alojamentos deste hotel que foi buscar o nome à história da região. Conta Rui Jorge Barata que as penas d’água constituíam uma medida antiga para a água que descia das nascentes serranas e era canalizada para a cidade, alimentando fontanários, banhos públicos, igrejas e casas abastadas. Uma delas era precisamente a da família Catalão, a proprietária original do edifício. “Temos uma escritura com 100 anos que nos dá direito a uma pena de água”, conta, pormenorizando que a medida correspondia ao diâmetro de uma pena de pato, na relação com o tempo que demorava encher um tanque com água. E o tanque da casa permanece, para reavivar memórias.

Não faltam planos para valorizar o hotel. O spa vai ganhar espaço, para novas salas de tratamento. O pátio virado para a Estrela vai ser transformado num pop up de verão, com a assinatura do restaurante do hotel, que ocupa o edifício Arte Nova contíguo (e que acaba de ser declarado de interesse municipal) – será o Atrium by Açafrão. E, na forja, está uma linha de mobiliário, com peças de design que vão conjugar com o ambiente do hotel, mas que se destinam a ser vendidas.
É um dos muitos grandes detalhes deste Pena D’Água, que se diz boutique por dentro, mas com uns imponentes dois mil metros lá fora.