O que tem um quadro de Renoir a ver com um Porto de 80 anos? A resposta foi dada no evento de apresentação da mais recente edição limitada da Quinta das Carvalhas e é (parece) simples: ambos são impressionistas.

“The impressionista” é precisamente como se designa o Tawny 80 anos, o mais antigo dos novos vinhos do portefólio da Real Companhia Velha. Foi Pedro Silva Reis, mestre provador com experiência acumulada de quatro décadas, que descodificou a analogia entre o movimento impressionista e a profundidade e complexidade conferidas pelo envelhecimento prolongado. Em comum, as duas artes têm “o lado intemporal”, até porque, como sublinhou, é sabido que o vinho do Porto tem das maiores longevidades do mundo vínico.
Este Tawny inscreve-se numa nova categoria – a dos Portos com 80 anos, mais atrativa do que a designação “very, very old”, que Pedro Silva Reis apelida de “pouco intuitiva”. Os vinhos com 80 anos vêm ocupar esse espaço: face aos de 50 anos, são muito mais do que vinhos com mais 30 anos.
Assim é com esta edição limitada: é um exemplo da arte de lotear, na medida em que resulta de quatro bases, em que o resultado é superior à soma das partes. Assim, o blend é composto por um Very Old Tawny do século XIX, que aporta complexidade, generosidade e profundidade; por um Very Old Tawny de 1927, que confere estrutura, intensidade e potência; pelo Colheita de 1955, que introduz exuberância e exotismo; e pelo Colheita 1975, que adiciona vitalidade, tensão e frescura.

Foi – partilhou Pedro Silva Reis – uma “ideia da nova geração”, representada pelo seu filho mais novo, Tiago. Nas suas palavras, estas edições limitadas nascem de um conceito simples: “Se temos vinhos individuais e singulares, porque esconde-los? Desprendemo-nos disso e quisemos mostrar ao mundo a diversidade dos tawny. “
Com apenas 695 garrafas, este é um lote que não será repetido. De cor âmbar, acentuada com laivos esverdeados, revela um aroma muito intenso e complexo, com notas de frutos secos, laranja desidratada, especiarias, madeira exótica e um toque de verniz. Na boca, é generoso e sedoso com uma doçura profunda, mas equilibrada pela acidez. Apesar de uma grande concentração e de um final longo e extraordinariamente persistente, este é um Tawny elegante.
A prova teve como espetadora a obra “Deux jeunes filles lisant”, de 1890, cedida pela Fonseca Fine Art Galerie, de Paris.