Nos próximos dias 17 e 24, a Adega de Palmela abre as portas para mais um dia de vindima, uma oportunidade de mostrar – usando as palavras da responsável pelo enoturismo, Teresa Grilo – a alma e a paixão com que os viticultores se entregam à arte de produzir vinho.
O programa começa com a entrega do indispensável kit de vindimas – uma t-shirt, um chapéu e, claro, a tesoura que vai permitir a poda dos cachos. Depois, já na vinha – neste caso, a Vinha da Matela, do associado Luís Silva, também gerente e enólogo da adega –, é tempo de dialogar com as fileiras de uvas da casta Syrah.
Um lanche com produtos da região confere uma merecida pausa, antes de rumar à adega e ficar a conhecer todo o processo de entrega das uvas pelos associados – da análise do mosto à pesa e sequente encaminho para o respetivo tegão. Uma experiência de pisa a pé é o momento que encerra a manhã.
O passo seguinte é descer à Cave das Barricas, para um almoço com prova comentada de vinhos e a possibilidade de conhecer algumas das novidades das várias marcas com a chancela da Adega de Palmela.



Este ano, com a particularidade de se assinalarem sete décadas desde que, em 1955, 50 viticultores decidiram unir-se para enfrentarem, em conjunto, problemas que eram de todos. Nessa altura, era sobretudo a dificuldade em comercializar as uvas. Hoje, é a diminuição do consumo e o aumento da concorrência.

Foram questões levantadas pelo presidente da adega, Ângelo Machado, questões que alimentam a inovação, visando dar resposta a um consumidor que “está sempre à procura de novidade”.
E inovar – segundo o enólogo, Luís Silva, passa, atualmente, por experimentar novas catas, por aumentar a produção de vinhos brancos e rosés, na medida em que há uma procura crescente por vinhos com menos álcool, mais leves e mais frescos. “Sem descurar a nossa tradição, que são os tintos”, ressalvou, dando conta de uma proporção 70-30 no portefólio, a favor dos tintos. “Beber menos, mas melhor” é o lema, com o presidente da cooperativa a destacar que a adega integra o projeto europeu “Wine moderation” precisamente nesse sentido.