A vista para o mar é cartão de visita mais do que suficiente para entrar no Farol Hotel, em Cascais. Mas, desde há alguns meses que há mais um atrativo: a nova carta do restaurante The Mix, que, pela primeira vez, faz realmente jus ao nome.
E porquê? Porque a fusão entre os dois restaurantes do hotel – o The Mix e o Sushi Design – deu origem a um conceito único em que a gastronomia portuguesa e a internacional se cruzam, e em que continua a haver lugar para o sushi. “O sushi estava separado, havia uma escada que separava os dois restaurantes”, lembra o chef Sebastian Fritye, em defesa deste novo conceito em que se misturam as propostas.
À mesa chegam tapas – e chega igualmente sushi, assinado pelo chef Francisco Braga –, porque a ideia é que a comida seja para partilhar. Os pratos muito formais ficaram no passado, em nome de um projeto que se propõe atrair clientes mais jovens.
Ainda assim, há alguns pratos portugueses “seguros”, até porque a maioria dos clientes é estrangeira e pede essa experiência. Mas, a ideia é que o convívio seja alimentado pela multiplicidade e diversidade de propostas.
Para esta nova vida do The Mix, o chef – romeno de origem, mas há muito a viver em Portugal – inspirou-se nas suas experiências antigas, em hotéis como o The Oitavos, o Grande Real Villa Itália e o Penha Longa, bem como em viagens que fez em equipa: “Aqui não há ditadura do chef, toda a gente dá ideias”, comenta, acrescentando: “*Pensei no que eu gostaria de comer e no que os clientes esperam.”
Sabores cruzados
E foi a partir deste mix de influências que nasceu a nova carta, que tivemos oportunidade de descobrir. Nela, está reservado um “sushi moment” e foi por aí que começamos: gunkans de atum e lavagante, e salmão e vieiras trufadas com kizami e tobiko. Na transição entre a cozinha nipónica e a portuguesa, foi servida uma fresca salada de atum e abacate, cebolinho, sementes, óleo de sésamo e ponzu.


A entrada nos sabores nacionais fez-se com alguns petiscos clássicos, mas com uma dose extra de inovação: assim, foram servidos croquetes, mas de presunto pata negra com maionese chipotle, os choquinhos grelhados marcaram presença com uma vinagreta de tinta e milho frito, e o polvo chegou em lascas panadas, com maionese de alho assado. Particularmente surpreendente foi o lombinho ibérico curado com ervas finas, servido como se fosse um paio fatiado, na companhia de vinagreta de figo e de croissant em tosta.



Os dados de tapioca com ketchup caseiro desempenharam bem o papel que costuma ser das batatas fritas. Já o pão Cristal com tapenade de straciatella e pistácio, e presunto trouxe um toque italiano à refeição, sendo que o pão assim batizado pelo chef assume o lugar da pinsa, um familiar da pizza, mas com massa mais leve que resulta da mistura de farinhas e de um processo de fermentação mais longo.


Estava mais do que satisfeito o apetite, mas faltavam os quentes: primeiro, um consommé de cozido à portuguesa e ravioli de won-ton, também um mix de culinárias; depois um arroz de bacalhau caramelizado com piparras marinadas em limão; de seguida, entrecôte grelhado com molho holandês trufado; e, finalmente, tom yum (sopa tailandesa) de peixe e marisco. A ordem dos pratos é, na verdade, arbitrária, pois, neste almoço de apresentação do novo conceito, chegaram â mesa em simultâneo.



A sobremesa ficou por conta de dois clássicos: mini-crepes Suzette e um pijaminha com farófias, arroz doce e pudim Abade Priscos, aqui chamado “The Mix com tradição” e harmonizado com um Porto Ramos Pinto.


O Coconuts está de volta
Foi uma viagem demorada pelas geografias das propostas dos chefs Sebastian Fritye e Francisco Braga, uma viagem que teve como guias o diretor do Farol Hotel, Nuno Nunes, e o diretor de F&B, Nuno Santa Antunes. E que foi também o pretexto para anunciar a reabertura do Coconuts, emblemática discoteca da zona de Cascais, agora espaço de eventos. Com a mesma vista rasgada sobre o mar, foi reabilitada, despojada das cores fortes que recordavam a sua vida passada, estando apta a receber eventos à medida dos clientes. Tem capacidade para 400 pessoas em pé, ou cerca de 350 sentadas, e reabre com a ambição de voltar a ser o que era. Para já, é certo que acolherá a festa de fim de ano do hotel.