É com um espumante premium e um abafado de dez anos que a Quinta da Lagoalva entra na reta final de 2025. Não sem apresentar também novas colheitas de três das suas referências: os Lagoalva Reserva branco, de 2024, e tinto, de 2023, e o Quinta da Lagoalva Grande Reserva Syrah tinto, este igualmente de 2023.
Coube à dupla de enólogos constituída por Pedro Pinhão, que assina vinhos deste produtor de Alpiarça desde 2003, e Luís Paulino, há apenas três anos na equipa, dar a conhecer os cinco vinhos, num evento em Lisboa, muito adequadamente na sala de provas da ViniPortugal.
O Espumante Dona Isabel Juliana teve honras da primeira prova. Junta-se a um portefólio que integra um Reserva Bruto branco e o mais recente Pet Nat, tendo recebido o nome da matriarca da família Holstein Campilho, proprietária da quinta. É um Grande Reserva Bruto branco de 2021, em que o Arinto e o Alfrocheiro entram na proporção de 70-30, com esta segunda casta a aportar complexidade e estrutura.
Desta primeira edição há apenas 500 garrafas, sendo que esta quantidade foi mantida nas colheitas seguintes, pois, nas palavras de Pedro Pinhão, “o mercado é pequeno para esta gama”. Ainda assim, permite mostrar o potencial da Lagoalva: “Foi uma brincadeira, achámos que evoluiu bem e decidimos lançar.”
Foi também o enólogo residente a apresentar a segunda estreia do produtor, que seria, no entanto, a última prova: o Quinta da Lagoalva Vinho Licoroso Abafado 10 anos, criado em 2015. Uma primeira experiência, de 500 litros, em 2008, acabaria por não chegar ao mercado, por não ter sido identificada a qualidade necessária.
Nessa altura, como agora, é 100% Fernão Pires: após a prensagem dos cachos inteiros, o mostro decantou 48 horas antes da passagem a limpo e da adição de aguardente vínica (77,6%), o que significa que não houve lugar a fermentação. O estágio aconteceu em barricas venhas de 225 litros. Foram produzidos 650 litros, de que resultam 6200 garradas de meio litro, comercializadas em caixas de madeira com três unidades.
Pelo meio, provaram-se as novas colheitas. Coube a Luís Paulino apresentar o Lagoalva Reserva Arinto & Chardonnay branco 2024, em que as castas entram na mesma proporção, mas sofrem processos distintos: assim, o Arinto, que confere frescura e acidez, fermentou em cubas de inox e o Chardonnay, que aporta a untuosidade e complexidade, em barricas de carvalho francês, só depois tendo sido feito o blend. O resultado, segundo o enólogo, é um vinho “muito equilibrado”.
Já do Lagoalva Reserva Alfrocheiro e Syrah tinto chega ao mercado a colheita de 2023, tendo sido opção da enologia “saltar” 2022: “A qualidade não era suficiente para o que queremos de um Reserva”, comentou Pedro Pinhão. De perfil fresco e aromático, exibe um teor alcoólico inferior ao que é habitual nos tintos, o que corresponde a uma tendência de consumo, como reconheceu Pedro Pinhão.
Finalmente, o Quinta da Lagoalva Grande Reserva Syrah tinto 2023. Luís Faustino começou por sublinhar que o produtor foi “pioneiro” a plantar esta casta em Portugal, no ano de 1984. Também este vinho exige um teor alcoólico baixo, mas sem impacto na untuosidade: bastante frutado e fresco, com notas de especiarias, não é um tinto muito concentrado, porém contém muito tanino e um bom potencial de envelhecimento.
A propósito de potencial, o evento foi ainda palco para Filipa Araújo, responsável de enoturismo, partilhar os programas disponíveis na propriedade de Alpiarça. E que incluem visitas ao palácio, à adega, à coudelaria e ao museu, onde está exposta a coleção de carros de cavalos da quinta. Há idas ao campo e, claro, provas de vinhos.
