Foi com o propósito de dar a conhecer a versatilidade e riqueza dos vinhos de Lisboa que a Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa se estreou nas jornadas gastronómicas, com a primeira Chefs Week. Uma das paragens foi o Soi Asean Street Food, em que as criações do chef Maurício Vale permitiram tirar a prova dos noves à premissa que conduziu a este roteiro.
O que a Vinhos de Lisboa propôs foi exatamente isso – uma rota de experiências gastronómicas em alguns restaurantes de autor da cidade, com a particularidade de serem cozinhas com perfis bastante distintos. Em comum apenas a harmonização com os vinhos da região. Foi de 27 de outubro a 2 de novembro, com o Palácio Nacional da Ajuda a inaugurar o evento, acolhendo três banquetes com assinatura de chefs nacionais e internacionais.
As paragens seguintes tiveram como cenário, além do Soi, o ÀCosta, de Olivier da Costa; a Nunes Real Marisqueira, de Manuel Bóia; o Plano, de Vítor Adão; o Áurea, de André Serra; o Bistro 100 Maneiras, de Ljubomir Stanisic; e o Ryoshi Lisboa, de Lucas Azevedo.
E porquê esta iniciativa? Jorge Correia, administrador da Adega Cooperativa Dois Portos, em Torres Vedras, e vogal da CVR Lisboa, fez as honras da explicação no jantar assinado por Maurício Vale. É que subsiste ainda, na mente dos consumidores, alguma (se não muita) confusão entre os Vinhos de Lisboa e os Vinhos do Tejo, importando fazer a diferenciação.
A riqueza da região de Lisboa – que, geograficamente, coincide com a Estremadura – assim o exige: desde os vinhos de Lisboa propriamente ditos, aos de Carcavelos e Colares, passando pelos de Bucelas, de Arruda e de Alenquer, pelos de Torres Vedras, da Lourinhã e de Óbidos, o portefólio é vasto. E merece ser conhecido e provado.
Foi com essa missão que nasceu a Chefs Week, um evento com a chancela Essência do Vinho. No Soi, a harmonização estendeu-se por quatro pratos, com o menu a iniciar-se com crocante de arroz, corvina fumada, bbq tailandês, acompanhado no copo por um branco Quinta das Cerejeiras Grande Reserva 2022, vencedor de uma medalha de ouro no recente Concurso Vinhos de Lisboa.
Premiado também com ouro, mas entre os tintos, foi o Chocapalha Vinha Mãe 2019, que harmonizou com o bao de pato assado com cinco especiarias e hoisin. Já o camarão tigre branco, citronela, chilly seco, amendoim, coco e manjericão casou com o Coragem Chardonnay 2024, mais um branco medalhão, cuja frescura equilibrou o ligeiro picante do prato.



Finalmente, a sobremesa: Maurício Vale preparou um creme brulée de lemon grass e pandan com groselhas embebidas em lapsang e biscoito de sésamo. E os Vinhos de Lisboa sugeriram a companhia de um fortificado, o Villa Oeiras Superior, com a Aguardente da Lourinhã Clássica 32.ª Série – distinguida como a melhor aguardente no concurso – a revelar-se também uma boa escolha.

