Brancos, rosés e espumantes compõem as propostas da enologia para o verão. Mas, há também lugar a um tinto jovem.
O primeiro verde
A Vila Galé estreia-se no universo dos vinhos verdes com Nat Friends, um pet-nat do Paço do Curutelo, em Ponte de Lima. Com enologia de Ricardo Gomes, é um espumante produzido apenas com a casta Loureiro.
Após a vindima, as uvas permanecerem por um dia em câmara frigorifica a 4ºC antes de começarem a ser processadas. A fermentação alcoólica decorreu em barrica de carvalho francês e o último terço decorreu em garrafa, tendo estagiado por sete meses.
De cor citrina ligeiramente turva, fruto da sua natureza não filtrada, revela aromas cítricos frescos, acompanhados por notas fermentativas típicas do método ancestral. Na boca, apresenta uma bolha viva e persistente, complementada por uma acidez vibrante que lhe confere grande frescura e leveza.

Monovarietais do Douro
A Quinta de Cidrô, localizada em São João da Pesqueira, tem dois novos monovarietais: o Arinto branco e o Gouveio branco, ambos da colheita de 2024.
O Quinta de Cidrô Arinto branco 2024 apresenta uma frescura aromática, com um perfil de fruta muito delicado. No nariz, é evidenciado o caráter mineral típico da casta. Notas de fruta branca, tipo ameixa verde, que combinam com sugestões de sílex, fumo e pedra lascada, e nuances tostadas de uma madeira bem integrada. Na prova é muito fresco, tenso e vibrante, com sabores que se adivinham no nariz. Termina muito longo, com a sua acidez muito viva e persistente.
Por sua vez, o Quinta de Cidrô Gouveio branco 2024 exibe cor citrina; no nariz surgem notas delicadas de ameixa branca, pera e flores secas, num perfil muito fino e complexo. Na prova, segundo o produtor, mostra o seu lado aromático mais fresco, com excelente textura complementada pelo seu caráter mineral, terminando tenso e cheio de sabores.


Estreia no rosé e não só
A Menin Douro Estates acaba de lançar o seu primeiro rosé, da colheita de 2024, que chega ao mercado juntamente com outras duas novidades: um branco também de 2024 e um tinto de 2021, assinados pelos enólogos Tiago Alves de Sousa e Manuel Saldanha.
O Menin Rosé 2024 foi produzido a partir de Touriga Nacional e Tinta Roriz, com predominância de exposição solar nascente, e diferentes parcelas localizadas em cotas que variam dos 350 aos 400 m de altitude. Exibe aroma a morango silvestre, framboesa e romã, acompanhados por notas florais subtis. Na boca, apresenta uma acidez equilibrada e um final mineral e refrescante.
Já o Menin Branco 2024 é um tributo às castas Rabigato e Gouveio, da Quinta do Sol, onde foram utilizadas uma seleção de parcelas localizadas em cotas que variam entre os 400 e os 480 metros de altitude. De cor citrina, apresenta um aroma vibrante com notas de lima, toranja, alperce e toques florais e herbáceos. Na boca, revela-se mineral, persistente e refrescante.
Quanto ao Menin Tinto 2021, possui uma cor rubi média, revelando um aroma complexo em que se destacam frutos vermelhos e pretos e notas de especiarias provenientes da parte do lote que estagiou em barrica. É descrito como um vinho jovem, elegante e estruturado.

A segunda edição
A Quinta da Lagoalva lança a segunda edição do seu espumante estilo Pet Nat: são cinco mil garrafas, depois das 1300 da estreia, com a colheita de 2023.
O Lagoalva Espumante Pet Nat branco 2024 consiste num blend das castas Arinto (80%) e Fernão Pires (20%). As uvas são apanhadas muito cedo, para manter as suas características organoléticas no estado mais puro, sendo prensadas, com o mosto clarificado por flotação fermentado em cubas de inox, com temperatura controlada a 16.ºC. Quase no final da fermentação, o vinho, ainda turvo, é engarrafado, terminando-a na garrafa com carica.
Estagiado durante nove meses em garrafa, é um vinho ligeiramente turvo, com uma cor citrina. Na boca, é seco, fresco e tem uma acidez bem marcada.

Harmonia de 2024
A Quinta do Ameal anuncia o lançamento da colheita de 2024, um vinho que coloca em evidência a vivacidade, a frescura e a exuberância da casta Loureiro.
Produzido na sub-região do Lima, este Ameal confirma, segundo a enóloga Mafalda Magalhães, o enorme potencial da casta e da região dos Vinhos Verdes para a produção de vinhos de qualidade com grande capacidade de evolução.
“A colheita de 2024 revela uma harmonia impressionante. A fermentação lenta em inox e o estágio prolongado com borras finas deram-lhe estrutura e longevidade, sem perder frescura e vivacidade”, descreve, adiantando que a vinificação respeitou a autenticidade da casta, valorizando a pureza aromática e a textura do vinho.

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