É numa propriedade com 25 hectares que ficam os seis de vinha que dão ao mercado os vinhos Bustelo, a incursão da Cas’Amaro na região dos vinhos verdes. Que ganham a forma de três criações inéditas e de três novas colheitas de referências já existentes. Tudo isto enquanto não abre portas um dos tesouros da quinta: o solar convertido em enoturismo.
Como conta o diretor-geral, Rui Costa, a Quinta do Bustelo foi adquirida há uns anos no âmbito da expansão da Cas’Amaro, o projeto vitivinícola do empresário Paulo Amaro cujo coração pulsa em Alenquer, na região de Lisboa.
Localizada em plena rota românica do norte, na região de Marco de Canavezes, a quinta é um quadro verdejante, habitado maioritariamente por floresta, em que pontuam um solar com 200 anos e um conjunto de estátuas romanas que não deixam a história por mãos alheias. Edificado em granito, como manda a tradição, era a casa senhorial da freguesia, com a capela a servir a devoção religiosa do povo de então.
É este património que está agora a ser recuperado, para manter traços originais como os tetos pintados e os soalhos de madeira, mas com uma intervenção na arquitetura e no design de interiores, com incorporação de arte, em linha com a Cas’Amaro Wine Villa. Acolherá seis a oito suites, não mais, para garantir “a excelência do serviço”.

Do solar alcançar-se a vinha, com os seis hectares a exibirem as castas mais tradicionais da região, entre elas, Arinto, Loureiro, Alvarinho e Azal. E a “menina dos olhos” é uma vinha em ramada, com um conjunto desconhecido de castas. Foi delas que nasceu o Bustelo Rosé 2024, uma das estreias da marca.
Descrevendo-o, pois, como um field blend, o diretor de enologia, Ricardo Santos, afirma que é um vinho ligeiro, perfeito para entrada de portefólio, com um perfil fácil, “quase de esplanada”. Fresco e ligeiramente doce, ostenta uma cor próxima da cereja, com aroma a morango e frutos vermelhos.
E, levantando um pouco o véu sobre os próximos lançamentos, partilhou que a colheita de 2023 dará origem a um espumante, a provar mais para o fim do ano.
Inédito é também o Bustelo Arinto Reserva 2023. O enólogo explica que foram selecionadas uvas de uma pequena parte da parcela de Arinto, as quais foram deixadas a amadurecer, de modo a que a obter mais volume e mais corpo, logo mais álcool. A fermentação decorreu por um ano em duas barricas novas, o que lhe acrescenta complexidade. No que toca à prova, no nariz sentem-se especiarias e na boca destaca-se a textura untuosa, com um final persistente.
Finalmente, entre as estreias, pontua o Bustelo Azal Doce 2023. É, segundo Ricardo Santos, o vinho mais tecnológico do portefólio, porquanto a fermentação foi interrompida a frio para manter a frescura dada pelo facto de a vindima ter sido prematura. “É quase um early harvest”, comenta, sobre este vinho que, na ausência de um Porto com a marca Cas’Amaro, tanto pode ser apreciado como aperitivo como a acompanhar uma sobremesa.
No desfilar das novidades, foram dadas a provar três colheitas. Uma delas é o Bustelo Alvarinho 2024, que, nas palavras do enólogo, é um vinho fácil, descomplicado, mas que também proporciona prazer à mesa. Melão branco e folha de chá são os aromas que emergem neste vinho com algum potencial para evolução em garrafa.
De regresso está, igualmente o Bustelo Vinho Verde Loureiro e Arinto Colheita Selecionada, na edição de 2024, um vinho que materializa a frescura e a mineralidade dos solos graníticos da região. De cor citrina vibrante, mistura notas vegetais com especiarias e um leve toque de baunilha, resultado do estágio sobre borras finas.
O sexteto de lançamentos encerra como Bustelo Arinto 2024, da parcela de vinhas velhas – plantadas em 1975 – de que saiu o Reserva 2023. É, segundo o produtor, um vinho que “traz a alma da região para a mesa”.
Neste caso, a mesa foi a do Orquídea Wine Bar, na baixa lisboeta, um espaço detido igualmente por Paulo Amaro e que funciona como montra dos vinhos da Casa. Para harmonizar, o chef Hélder Branco criou especialmente um menu de inspiração minhota, alimentado por pasteis de massa tenra de pampo; croquetes de pato; bacalhau à minhota; arroz pica no chão (ou de cabidela); e pudim Abade de Priscos.
Provados os vinhos, é tempo de aguardar pelo boutique hotel que trará o solar da quinta para o século XXI.